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Bem-vindos ao blog Asseiken Martins. Um blog que fala do Karatê como uma filosofia de vida.

quarta-feira, 9 de maio de 2012


KARATÊ


O combate desarmado nasceu desde muito antes do que a própria história que se tenha conhecimento, por isso as origens mais antigas da arte são pouco definidas, escondidas frequentemente no folclore de uma variedade de culturas de todo o mundo. Várias formas de combate desarmado foram praticadas na Índia, na China, Formosa e Okinawa, ao sul do Japão. Em Okinawa, a luta de "mãos vazias", em um certo momento, era praticada em segredo por causa da influência dos senhores feudais japoneses que tinham conquistado a ilha, e por isso, proibiam que seus subordinados utilizassem armas. Este ato de proibição das armas fez com que muitos dos povos começassem a praticar formas de combate desarmado em segredo. Assim, pode ter surgido a arte marcial conhecida como “Caminho das mãos vazias”, Karatê.


Assim, surge então o criador do Karatê Shotokan, o fundador do karatê moderno, o mestre Gichin Funakoshi.
 

Gishin Funakoshi nasceu em 10 de novembro de 1868, em Shuri, distrito de Yamakawa-Cho, Okinawa, província mais ao sul do Japão. Era filho único e foi criado pelos seus avós maternos, que lhe deram além de uma boa educação, conhecimentos sobre poesias clássicas chinesas. Funakoshi era uma criança frágil e na escola primaria que freqüentava conheceu o filho de Yasutsune Azato, um dois maiores especialistas de Okinawa na arte do Karatê, e membro de uma família das mais respeitadas. Funakoshi começava a tomar suas primeiras lições de Karatê no rígido sistema Naha-Te (força e contração), que o ajudou a se tornar uma pessoa mais saudável. Devido à proibição na época da prática de artes marciais em Okinawa, os treinos eram realizados à noite, no quintal da casa do Mestre Azato. O treinamento era tão rigoroso que tinha uma filosofia de: "Hito Kata San Nen", ou seja, "um Kata em três anos". Enquanto praticava no quintal de Azato com outros jovens, outro gigante do Karatê, Mestre Itosu, amigo de Azato, apareciava e observava-os, onde também o ajudou, contribuindo com seu estilo Shuri-Te (velocidade e elasticidade). Diz à história que os treinamentos sempre terminavam muito tarde e, por serem escondidos, começavam sempre à noite, tendo como conforto à dura rotina de trabalho das técnicas do Karatê pelo mestre Azato, apenas a palavra “bom”, como resultado de todo o esforço. Funakoshi conseguiu passar no Curso de Medicina, mas não concluiu porque foi impedido por apresentar um físico mais desenvolvido e isso não era permitido nas academias de Medicina da época. Assim, ele se dedicou ao Karatê e passou a estudar profundamente essa arte. Com o passar do tempo começou a lecionar numa escola primária e a partir daí foi ficando mais conhecido ao ponto de impressionar os administradores do poder Japonês e fizera a convite uma apresentação em Tóquio para a elite governante, que repercutiu de forma ostensiva no desenvolvimento do karatê além Okinawa. No Japão, Funakoshi foi ajudado por Jigoro Kano, o homem que reuniu tantos estilos diferentes de Ju Jutsu para criar o Judô. Kano tornou-se amigo íntimo de Funakoshi, e sem sua ajuda nunca teria havido Karatê no Japão. Jigoro Kano o introduziu às pessoas certas, levou-o às festas certas, caminhou com ele através dos círculos sociais da elite japonesa. Mais tarde naquele ano, as classes mais altas dos japoneses se convenceram do valor do treinamento do Karatê.
Funakoshi fundou o estilo Shotokan. Sho: significa Pinheiro; To: significa ondas e Kan: escola, logo se tornara Shotokan, escola de Funakoshi. Funakoshi passou a adotar a palavra Shotokan para assinar suas poesias, transformando a palavra em seu pseudônimo. Outro dado interessante sobre Funakoshi é que o mesmo caminhava pelas colinas repletas de pinheiros para refletir e escrever seu poemas. Essas colinas localizavam-se numa cadeia de montanhas que ao longe parecia a calda de um tigre e, passou a ser chamada de monte Torão.
Outra parte muito interessante sobre a vida de Funakoshi ocorreu durante a  Guerra Mundial, onde o Japão foi arrasado pelas forças americanas e foi praticamente um dos momentos mais difíceis não só para Funakoshi, mas para todo o povo japonês. Para se ter uma idéia, houve dias do céu ficar todo coberto, sem a luz do sol em razão de tantos aviões sobrevoarem o espaço aéreo. Imagine só o tamanho da destruição. Porém Funakoshi diferentemente da maioria dos japoneses conseguiu sobreviver e reorganizar o karatê Shotokan.
Gishin Funakoshi, o "Pai do Karatê Moderno", morreu em 26 de Abril de 1957.
Em seu túmulo pintado de preto, em forma de cruz, estão as palavras :
" KARATÊ NI SENTE NASHI "
( No Karatê não existe atitude ofensiva).

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